2.7.09

Esse incômodo véu

Já faz um tempo que o Estado francês tem revelado seu incômodo com o véu usado pelas mulçumanas domiciliadas em seu território.

O véu feriria a dignidade da mulher, segundo alguns políticos franceses.

Não penso assim, embora não seja um defensor do véu (e eu nem tenho nada a ver com isso tudo). A meu ver, tal posicionamento por parte dos líderes políticos franceses é fruto do securalismo agressivo que tem ganhado espaço no velho continente. Em 2004 a França já aprovou lei que proibia estudantes de usarem símbolos de religiosos nas escolas estaduais.

Vejo tais posições como retrocesso, um freio na evolução da democracia. Religião é algo de foro íntimo. Desde que suas práticas não firam aos Direitos Humanos, não deve ser tocada pelo Estado.

Não vejo em que o véu seja um atentado à dignidade da mulher. E mais: se de fato é um problema a ser resolvido, deverá sê-lo pelos próprios mulçumanos – e no campo das idéias. Quanto à alegação de que o véu não é um símbolo religioso, também isso deve ser decido pelo próprio povo islâmico.

As últimas notícias do que tem ocorrido no Irã nos mostra que os jovens do mundo islâmico tem opiniões próprias, inteligência e capacidade para enfrentar seus dilemas.
O mundo ocidental deve apoiá-los, isto é, interferir em sua vida cultural e vida sócio-política apenas na medida em que for requisitado.

Nada é mais precioso que a liberdade de um povo.

1.7.09

B.B. King - Key to the Highway

23.6.09

Página Incial

Penso no dia que se foi, relaxo – ou pelo menos tento – e logo pego no sono. Outro dia de luta se foi.

Amanhece, novo dia, recomeço, novo nascimento. A cada dia uma nova luta, um novo embate, mas muitas vezes os mesmos inimigos.

E é assim que ocorre. Quando penso que estou livre de determinados pecados, quando imagino que venci determinado desvio de comportamento e caráter, quando acredito que exterminei minha ansiedade, lá estão meus inimigos à espreita.

Antes mesmo que o sol dê o ar de sua graça, um exército me espera para guerrear.

Não há para onde fugir, essa é a vida real. Leio o Evangelho e entendo que agora sou remido, limpo e feito nova criatura. Deus me salvou, tornou-me filho seu e vencedor diante de toda e qualquer situação que pudesse me separar d’Ele.

Não obstante, a maré continua bruta. Aliás, tornou-se ainda mais violenta. Posso então concluir que a guerra está vencida – “está consumado” – mas há focos de resistência que ainda precisam ser extirpados.

O velho homem, como as Sagradas Escrituras denominam a nossa natureza caída e pecadora, deseja ressurgir; como um espírito fantasmagórico não quer deixar de me assombrar.

É como navegar na internet. Ao ligar meu computador e clicar no navegador, ele – irreversivelmente – abrirá sempre na página inicial já configurada. Eu, por minha livre escolha e conhecimentos é que devo alterar o endereço eletrônico e me dirigir para os sítios que desejo.

Toda manhã, ao abrir meus olhos, ao retomar a plena consciência, novamente reencontro-me com minha página inicial existencial, a qual devo alterar, rejeitar, desprezar ou, num ato de capitulação, render-me a ela e chafurdar-me no lamaçal da pecaminosidade existente na essência da velha natureza.

18.6.09

Êita Brasilzão de meu Deus!

13.6.09

Sobre a "gentileza"

Por uma questão de consciência, enviei um e-mail para o Vereador responsável pela “gentileza” cuja fotografia postei e comentei na publicação anterior. Pensei que seria justo ele se pronunciar.

Agi assim por motivos básicos: primeiro, não sou natural de Tangará da Serra, nem conheço bem seus representantes políticos e a política na cidade, desconhecendo, portanto, o trabalho e o caráter do político ora comentado aqui no blog ; segundo, acho que todos têm direito de se responder as críticas que lhes sobrevêm.

Transcrevo agora tanto o e-mail que escrevi a ele quanto a sua resposta, que, diga-se de passagem, veio não muito tempo depois do dia em que lhe escrevi. Vale ressaltar, não alterei nada em sua escrita, na forma que recebi o e-mail, postá-lo-ei aqui:

QUESTIONAMENTO:

Prezado Vereador,

Outro dia passei em um dos bairros mais pobres da cidade e vi algo que me deixou um tanto extasiado.

Foi uma pequena construção de madeira que supostamente seria um ponto de ônibus. E já está caindo aos pedaços.

Resolvi enviar este e-mail certo de que o Sr. tem algo a dizer sobre o assunto, certamente tem algum projeto em andamento prevendo maiores cuidados com aquele bairro e sua população.

Outra coisa, o que mais me deixou encabulado foi a inscrição (que o Sr. pode ver nas fotografias) "gentileza do vereador...". Sei lá, fica estranho colocar isso numa obra pública, não acha? Ainda mais quando a gente sabe que aquilo ali, além de que deveria ser feito com outros materiais e ser bem melhor do que é, é também uma obrigação a ser prestada e não um favor ao povo!

Certo de sua compreensão.

Humberto Ramos

RESPOSTA:

Caro Cidadão,quero com todo respeito dizer que esta pequena construção que está aproximadamente com três anos,foi feito com reurssos próprios deste vereador,gostaria de informar que após por diversas vezes indiquei ao prefeito municipal a construção de um ponto de õnibus nessa localidade,e não fui atendido.então pensando nas pessoas que ficavam ali no sol e na chuva,resolvi por minha conta fazer o que estava no meu alcançe financeiro.é importante dizer que vandalos depredam ,como o senhor mesmo observa na imagem.Além do tempo e desgaste natural do material,tenho a dizer que isto não é o papel do vereador,construir obras,tenho mas um ponto no Jardim Sandiego a pedido da população e também cinco bancos de concretos em diversos pontos da cidade servindo a comunidade.Torno a dizer que não é uma obra Pública,com recursos do contribuinte,longe de ser uma grande obra que o bairro merece,mas,o que foi feito com uma boa intenção aplaudida pela comunidade.Coloco o meu gabinete á disposição para maiores esclarecimento e conhecimento dos trabalhos e dos nosos trabalhos voluntário.Vereador celso ferreira.

9.6.09

Quanta gentileza!!!



Ando bem ausente no blog devido à rotina doida em que me meti. Alguns compromissos relacionados ao serviço e ao estudo tem-me tomado um tempo sem fim. E quando não me tomam o tempo de fato, o devoram virtualmente por conta das minhas constantes preocupações e ansiedades (o que não é novidade para quem me conhece intimamente).

No entanto, tirei essas fotos e resolvi postar. Achei um tanto cômicas e passíveis de indignação, ao mesmo tempo.

Quando a gente elege um político, o fazemos na esperança de que ele trabalhará pelo povo, afinal essa é sua tarefa – embora a gente custe a acreditar nisso aqui no Brasil.

Mas um vereador aqui de Tangará da Serra/MT deixou essa marca estranha em um dos bairros da cidade, a qual eu compartilho com vocês. Simplesmente ridícula. Como falei, os políticos são eleitos para trabalhar, não para fazer “gentilezas” ao povo.

Não obstante, nem preciso entrar nesse mérito, basta apenas dizer que, mesmo não sendo político, já dava pra ter vergonha de prestar uma “gentileza” desse naipe a quem quer que fosse, quanto mais sendo ele um representante do povo.

Repare: aquilo era para ser um ponto de ônibus.

2.6.09

Saudade em cheiro e sabor

Por vezes a saudade me vem em cheiro e sabor. Saudade de comida caseira na mesa. Cheirinho de coisa gostosa sendo feita logo cedinho. Sabor de coisa caipira lá da terrinha, da tradição passada de pai pra filho que a gente nem sabe direito que é tradição.

Transmissão hereditária, que está no sangue e na alma, imprimida no jeito de ser, fazer, e de viver...

Arroz e feijão feitos na panela de ferro no fogão à lenha, frango caipira refogado com cheiro verde, pastel de farinha de milho com cafezinho. Aquela feijoada, tutu, virado de banana, bolachinha de nata com goiabada... ai, ai, ai... que saudade!

“E as pessoas, você não tem saudade delas?”

Ah, sim. Claro! Tudo isso sem gente ao redor num vale nada... Bem, pra ser sincero vale sim, mas não tanto quanto nos momentos em que estão na roda proseando nossos pais, irmãos, amigos e vizinhos.

Ao desejar estas coisas, desejo também as pessoas amadas. Ao lembrar de tudo isso, me recordo dos deliciosos momentos que passamos juntos. Ora, não foi Jesus quem disse que deveríamos comer e beber em memória dele?

Certamente ele sabia como nossos sentidos degustativos eram poderosos para nos recordar daqueles que mais amamos, e com quem já desfrutamos saborosos banquetes.

Pensar (não) dói!

Para algumas pessoas pensar dói. Parece idiota mas é verdade.

Se quisermos saber da disposição de alguém para pensar, basta confrontar as suas idéias. É neste momento que a capacidade de reflexão de uma pessoa pode ser medida: quando suas posições são contrapostas.

Se for preguiçosa, certamente se esquivará, não argumentará de forma lógica; ou mesmo deixar-se-á tomar pelo impulso da ira. Não havendo argumentos, por vezes haverá violência (verbal ou física).

São irascíveis os irreflexivos. A fúria é menos torturante que a meditação profunda acerca de um assunto. Mudar de idéia, bem... parece tão exaustivo. É uma afronta pedir que se considere uma afirmação oposta.

Ao lidar com tais pessoas, o melhor a se fazer é torturá-los com a dúvida, questionando-os apenas. E nunca perder tempo com longas explanações, afinal não querem aprender. Se julgam donos de todo conhecimento e verdade.

27.5.09

Quem me dera...

20.5.09

A cura de Dudu

O Dudu amava a natureza. Aliás, Dudu amava a vida. Só que sua ligação com a natureza era quase franciscana (e ele nunca havia lido nada sobre São Francisco). Cresceu vendo e ouvindo coisas que ninguém mais via ou ouvia.

Para ele, tudo era música, dança, desenho, arte em geral... Havia algo de mágico no mundo e ele sabia disso!

Em dias de ventania, Dudu não enxergava árvores se contorcendo pelo poder do vento. Elas estavam apenas fazendo alongamento, o vento forte era sopro fresco vindo de sabe-se lá de onde para refrescá-las. O sabiá, o tico-tico, o canário-da-terra, todos os pássaros eram músicos exímios, possuíam melodias arrebatadoras que lhe traziam o choro contente dos poetas. E por falar nisso, Dudu tinha mesmo um jeito de poeta. Não, não escrevia! Mas sua vida era poesia. Seus gestos, suas palavras, seu olhar, seu riso maroto...

Mas Dudu cresceu, estudou muito e, excelente menino que foi, passou no vestibular e entrou na faculdade. Não me recordo o curso, mas os outros sempre diziam: “Dudu se deu bem, que rapaz esperto!”, referindo-se ao curso escolhido.

Na faculdade perceberam que Dudu não era normal.
- Ele tem sérios traços de loucura -- comentavam.

Não entendiam como conseguiu ingressar no curso... Dudu era diferente e não era bom que fosse assim!

- Ele é poeta -- tentou argumentar uma menina.
- Que besteira! Conta outra... -- em uníssono seus amigos refutaram sua tese.

Resolveram curar o Dudu, não era aceitável que depois de cinco anos houvesse entre os formandos um rapaz que acreditasse profundamente nas coisas que dizia crer. Tinham que evitar isso antes que fosse tarde.

Trabalharam tanto em prol do seu intento, que no terceiro ano de faculdade ele já não acreditava que o sabiá era músico e poeta. Deixou de pensar que os urubus possuíam uma empresa especializada na limpeza dos campos, as corujas já não noticiavam a tragédia, nem as pombas anunciavam a paz, os periquitos não eram mais como crianças travessas, eram apenas irritantes, barulhentos e, ainda por cima, sujavam seu quintal com bagaços das sementes que comiam.

Dudu não acreditava mais... Fora curado. Tornou-se um cara rígido, austero em tudo, não contava piadas e nem gostava de cores fortes, não passeava mais nas campinas e nem apreciava o cheiro das magnólias.

O pôr-do-sol era um problema, pois Dudu tinha que ir para casa, e ele detestava deixar trabalho para o outro dia. Passou a se estressar com freqüência, brigava com a esposa e com os filhos, detestava futebol! Às vezes ficava triste, mas não chorava. Sentia que algo havia ficado para trás, mas não sabia o quê. Sentia falta de alguém ou alguma coisa, só que não sabia o que era!

E seus amigos sempre se gabavam por terem curado o Dudu.

- Agora ele é como todos nós... -- diziam.


Postado originalmente no Habla Poética.

12.5.09

Corações fragmentados

Se reservássemos um dia no mês para avaliar nossa atuação no palco da vida, certamente ficaríamos espantados com o que descobriríamos. Aliás, um dia seria muito tempo – isso em se tratando de gente como a maioria de nós, que não consegue separar nem sequer uma hora para um momento de silêncio reflexivo.

A fim de sobreviver nesta era, tivemos que nos adaptar às incontáveis mudanças de paradigmas, valores e comportamentos.

Adaptados, tornamo-nos sobreviventes. Mas sobreviver não é o bastante. Não nascemos para isso, deveríamos viver – em todos os sentidos desta palavra.

A necessidade de adaptação não considerou a indispensabilidade da qualidade de vida.
Alguns de nós migraram rapidamente para o nosso atual estilo de vida; outros já nascemos nele. Ambos sem compreender de imediato suas conseqüências.

Hoje somos seres fragmentados. Realizamos o impossível, fazemo-nos presentes em diversos lugares ao mesmo tempo (a virtualidade é milagrosa), desincumbimo-nos de várias tarefas simultaneamente. Trabalho, MSN, Orkut, e e-mails se fundiram incrivelmente.

Não obstante, os nossos corações se fragmentaram em decorrência das urgências do dia-a-dia e da exigência de dar resultados, de ter uma vida produtiva; e produtivo é quem faz muito em pouco tempo.

Estamos estudando, mas nossa mente está no trabalho; trabalhando, mas desejando o lazer; descansando, só que com preocupações múltiplas dominando nossas mentes e corações num autoritarismo irresistível.

“Onde está o seu tesouro aí estará o seu coração”, foi o que disse Jesus. Mas o que dizer desta geração que possui tantos tesouros? Que classificou quase todos os seus desejos como indispensáveis? Que qualificou todos os prazeres como inadiáveis?

À procura dos nossos tesouros, impusemo-nos a maldição de estar em todos os lugares e não estar em lugar algum (está claro agora que a Onipresença é um atributo exclusivo de Deus).

Nosso alívio talvez seja encontrado em um único objetivo apenas: inteireza de coração. Mas há esperança, ainda há tempo para reverter o processo cancerígeno da fragmentação de nossos corações, nossas almas.

Receio não dar conta de levar a diante este plano. E confesso, na prática é bem doloroso. A experiência pessoal me leva a dizer que não será fácil, e que as derrotas são muitas vezes mais expressivas que as nossas vitórias. O que era de se esperar, já que carregamos em nossos corpos e mentes os vícios e transtornos mentais característicos deste tempo.

No entanto, lutar e viver são quase sinônimos. Não há quem não tenha sua batalha pessoal, e nossas batalhas são resultantes de nossas escolhas. Quais batalhas queremos travar? Quais conquistas almejamos?

Eu fiz minhas escolhas. Vou desfragmentar meu coração, me tornar inteiro, quero viver...

4.5.09

Não me orgulho de ser Cristão

Já tive orgulho de ser evangélico, já tive orgulho de ser pentecostal e de pertencer a determinada denominação protestante. Hoje me orgulho de pouquíssimas coisas, como ser palmeirense e mineiro.

Toda semana me encontro com gente que tem profundo orgulho de suas escolhas religiosas; quase sempre ouço pregadores exageradamente inchados por serem ministros desta ou daquela instituição.

Orgulhosos evangélicos, católicos, pentecostais, protestantes-históricos, reformados e por aí vai. Alguns muito mais que orgulhosos – arrogantes e presunçosos!

Desculpem-me os orgulhosos de plantão, mas acho esse tipo de orgulho tão relevante quanto ter orgulho de ser corinthiano ou santista.

Pasmem! Eu nem mesmo consigo ter orgulho de ser cristão. Parece blasfemo dizer isso, eu sei...

Esse tipo de sentimento – o orgulho religioso – é totalmente incompatível com o Evangelho de Jesus. Ele, que não era nem evangélico nem católico, e tampouco cristão, não deixou nenhum vestígio de ensinamento indicando que deveríamos nos jactar por sermos cristãos protestantes ou católicos ortodoxos. Muito pelo contrário...

Ser cristão é motivo de alegria, é motivo de gozo e agradecimento; pois nem mesmo somos dignos de sê-lo. Paulo, o apóstolo, disse que Ele nos amou estando nós ainda mortos em nossos pecados – isto é, se somos seus discípulos, é por pura graça e misericórdia de Deus. Afinal, foi Ele que nos escolheu!

Ter orgulho de ser cristão seria como vangloriar-nos por termos nascido, ou pelo fato de sermos humanos, ou sustentar qualquer glória por sermos brancos ou negros. Não escolhemos nenhuma dessas coisas.

Orgulhamo-nos de coisas pelas quais lutamos, por conquistas das quais fomos personagens ativos, por objetivos que despenderam esforços. Enfim, digno de orgulho é todo êxito advindo de méritos pessoais.

Não tenho mérito algum em caminhar com Jesus. A bem da verdade, não conseguimos ser cristãos genuínos se o Espírito Santo não nos capacitar; não recebemos este Espírito se Jesus não nos conceder; não seria Ele concedido se primeiramente não fôssemos convidados para fazer parte do Reino de Deus, e foi Jesus quem nos convidou enquanto estávamos à beira do Caminho.

Ora, quem porventura se diria orgulhoso por ganhar um valioso presente a respeito do qual tem certeza não ser merecedor?

Penso valer a pena refletir sobre isso. Inda mais quando, em pleno século XXI, pessoas ainda se digladiam por causa de religião.

E é por essa trilha que quero seguir, e fazer minha jornada tentando despir-me dos fúteis orgulhos que ainda me restam.

25.4.09

Pobres de Meu Deus


Por Jacqueline Emerich


Um dia me disseram que Deus tem preferência pelos pobres. Logo contrapus com a idéia de que Deus não faz acepção de pessoas, o que é fato. Mas pensando bem, o Criador certamente tem, se me permitem a irreverência, uma caidinha pelo menos favorecidos. E a tal acepção de pessoas... Bem, isso é tema pra outro texto.

Quando olhamos pra sociedade em que estamos inseridos e percebemos as disparidades sócio-econômicas das classes que a compõe, damo-nos conta de que o sistema capitalista-opressor pouco reflete os valores do Reino.

Ao acompanharmos o inchaço doentio das cidades (obviamente que não poderia ser saudável, já que inchaço é sinal de que alguma coisa vai mal ao organismo), observamos que a parcelas que mais sofrem com isso são as de baixa renda ou, para ser mais científica, como a classificação da Revista EXAME¹, o pessoal da classe “D” e “E”.

Aprendi a pouco, em leituras sobre o desenvolvimento urbano e as cidades, que não devemos chamar essas classes de “excluídas”. Sim, podem ser excluídos das benesses da distribuição de renda, de participarem de determinados eventos, bem como de adentrarem certos lugares. Mas certamente não estão excluídos dos problemas sociais (pelo contrário, são os mais atingidos por eles), das doenças oriundas da falta de saneamento básico, tampouco da violência. Estão sim, e muito, incluídos no caos urbano.

Se dermos uma olhadela à nossa volta, ficaremos chocados, por exemplo, com a segregação espacial do território. Nos dias atuais, temos sido expectadores passivos da livre expansão dos condomínios fechados - verdadeiros guetos das elites – que se enclausuram em altos muros com cercas elétricas, guaritas na entrada, um reforçado sistema de segurança aliado a um sem número de porteiros chatos que impedem a entrada de quaisquer estranhos (mas coitados dos porteiros! São apenas moradores do bairro ao lado, sem infra-estrutura alguma, que moram numa casinha de 45 m², tentando ganhar o seu pão nas fortalezas dos ricos).

Marcelo Lopes de Souza, em seu livro ”ABC do Desenvolvimento Urbano”² , fala de um conceito denominado auto-segregação residencial. Nos EUA esse fenômeno é fruto do racismo. No Brasil, um país que não é racista (?), ele se dá principalmente pela disparidade econômica e status social. Por isso, cada dia mais o tecido urbano encontra-se fragmentado, pois é subproduto de uma globalização financeira que gera riqueza concentrada.

A letra provocativa da música “De volta ao planeta”, do grupo J Quest, afinal, faz sentido: “A cidade não para, a cidade só cresce, o de cima sobe e o de baixo desce”. Dessa forma, a intolerância entre as classes é alimentada pela falta de convívio e interação, já que ricos estão de um lado, e os pobres do outro. E assim as crianças abastadas vão crescendo com uma visão de “Alice no País das Maravilhas”, com medo da cidade lá fora, que é violenta, pobre e miserável, crendo que o seu condomínio é o seu mundo.

Tratando ainda do enorme abismo que há entre os brasileiros “A” e “E”, mas fugindo um pouco da problemática das cidades, não posso deixar passar em branco a reportagem de capa da já citada revista EXAME, em que o assunto é o consumismo. Pelo jeito, a crise econômica mundial não terá muita relevância no mercado brasileiro, já que as projeções de consumo para 2009 são bem animadoras.

Um estudo realizado pela Fractal – empresa especializada em pesquisa de consumo para instituições financeiras – relacionou as cinco prioridades de compra para 2009 das 6 classes sociais existentes no Brasil, de acordo com a renda familiar mensal. Vou relatar aqui apenas os extremos: as classes A1 e A2, que ganham entre 8.100 e 14.400 reais, gastarão seu rico dinheirinho com turismo interno, marcas premium, carros importados, imóveis para investimentos e, é claro, segurança, afinal a urbe é violenta mesmo... (aí vêm os condomínios fechados!).

Já as classes D e E, que têm renda familiar de até 620 reais, gastarão seus recursos com alimentação, produtos farmacêuticos, vestuário, aluguel e eletrodomésticos.

Ora, ora, ora! Não é de admirar a discrepância de prioridades da turma? Os pobres vão consumir exatamente aquilo que Jesus listou como a preocupação básica do ser humano: comer, beber e vestir! E ainda acrescentou: “o Pai Celeste sabe que vocês necessitam de todas essas coisas” (Mateus 6.31 e 32). E os ricos, bem... esses também têm lá suas necessidades, afinal, etiqueta na calça jeans e carro importado na garagem são necessidades prementes dessa classe “sofrida”!

Pois bem, quero concluir essa reflexão partindo para outras: como temos encarnado os valores do Reino? Quais têm sido nossas prioridades? Que olhar temos lançado sobre a sociedade multifacetada em que vivemos e construímos a cada dia?

Observando o Mestre, vemos que Ele dirigia suas palavras de alento a prostitutas, cegos, coxos, cobradores de impostos, pescadores iletrados, agricultores pobres, viúvas que só tinham uma moedinha no bolso, enfim, gente que não desfrutava de prestígio algum da sociedade. É... de fato, ouso declarar em uníssono com aqueles que ainda berram por justiça num mundo surdo e de desigualdades: Deus tem preferência pelos pobres!

[1] EXAME. Edição Especial 940. Ano 43 - nº 6 - 08/04/2009.
[2]SOUZA, Marcelo Lopes de. ABC do Desenvolvimento Urbano. 2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2005

Jacqueline Emerich Souza é Arquiteta e Urbanista, vive em Cuiabá e é namorada deste blogueiro.

20.4.09

Os machistas


Todo machista é, invariavelmente, um homem com sentimento de impotência e que teme a força feminina.

14.4.09

O nome de Deus


Não tomarás o nome de YHWH em vão, porque YHWH não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” Êxodo 20. 7

Corriqueiramente nos valemos de diversas expressões exclamativas de forma inconsciente, ocorrem sem que pensemos naquilo que estamos dizendo. Não raras vezes, essas expressões envolvem a Deus. Algo do tipo: “ó Deus!”, “Deus Santo”, “Meu Deus do céu”, “Valei-me Senhor”.

Muitas vezes me indaguei sobre a legitimidade de tais expressões envolvendo o “nome de Deus”. Na própria igreja me ensinaram que não se deve usar o seu nome em vão, e vez ou outra alguém suscita tal questão indagando se não estamos banalizando a palavra e o nome “Deus”.

Pois bem, é razoável indagar assim, contudo uma pergunta é pertinente: Qual é o nome de Deus? Como ele se chama realmente? Como ele se apresenta ou se apresentou quando se revelou a seus servos?

Ora, parece estranha tal pergunta. Não me admirarei se qualquer um se assustar ao ouvi-la ou lê-la, dizendo coisas do tipo “o nome de Deus é Deus!”. Ok. Só que ao ler a Bíblia, descobrimos que o nome de Deus não é Deus. Nem tampouco ele se apresentou a quem quer que seja dizendo: “Olá, meu nome é Deus, prazer em conhecê-lo”.

Cresci em lar protestante e nunca me ensinaram nada sobre isso, e foi com os judeus que aprendi aquilo que está tão claramente exposto nos textos bíblicos.

Quando Deus se apresentou a Moisés no monte Horebe, após incumbir a ele a tarefa de liderar o plano de salvação que tinha para seu povo, Ele é inquirido por Moisés sobre seu nome. E Deus lhe responde: “EU SOU O QUE SOU... Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou ” (Ex. 3. 13-14).

Curioso, o nome de Deus se assemelha mais a um verbo que a um pronome. Uma ação, uma declaração que nos leva, em primeiro momento, a dizer apenas que Ele é, e que ninguém mais é, senão Ele; nós apenas estamos sendo (só que essa é uma outra história que não vamos discutir aqui). Um nome que, sem dúvida alguma, revela muito acerca da natureza e caráter do Deus que adoramos e também do nosso relacionamento com Ele.

Para quem não sabe, grande parte dos textos do antigo testamento (inclusive o texto acima) foi escrito em hebraico antigo (chamado massorético); no qual não se usava vogais, portanto a expressão EU SOU era escrita assim na sua forma original: YHWH.

E agora, como fica a nossa interpretação do verso que nos adverte quanto a usar o nome de Deus em vão?...

Creio eu ser algo muito mais profundo do que não soltar indiscriminadamente aquelas expressões mencionadas no começo da nossa conversa. Aliás, vale comentar o caso dos judeus, e sua interpretação exagerada acerca da reverência necessária a tal nome.

Conta-se que em determinado período da história dos judeus, de tanta reverência acerca do nome de Deus, decidiram que não apenas não se deveria usar o nome do Senhor, mas também que este nome não deveria ser pronunciado. Alguns estudiosos do povo hebreu dizem que somente o sacerdote, no Yom Kippur (Dia da Expiação), é que pronunciava o nome de Deus no Santo dos Santos.

Daí hoje não se tem certeza da pronuncia real da palavra YHWH, traduzida por algumas bíblias como YAHWEH (Jeová e Javé, nas formas latinas). É por isso que na maioria das versões da bíblia encontramos a palavra SENHOR em letra maiúscula, ou mesmo a palavra ADONAI, também em maiúscula, isso porque os tradutores, seguindo a prática judaica, decidiram não escrever o nome de Deus, substituindo-o por SENHOR ou ADONAI (que significa Meu amo, ou Meu Senhor).

Os judeus às vezes exageram, os religiosos em geral exageram, e se perdem assim as essências das coisas, e daí surgem os problemas. Principalmente quando a essência em questão são os ensinos sobre Deus.

E tentando encontrar a essência do mandamento que diz não devermos usar o nome de Deus em vão, penso que ele se refere a dizer coisas sobre Deus que ele mesmo não endossou, ou ficar conjecturando – e dando importância exacerbada a essas conjecturas – sobre os mistérios envolvendo a pessoa de Deus, algo como a anatomia teológica praticada por alguns eruditos, ou mesmo a apelação abominável dos telepregadores com suas apelações verborrágicas que nada têm a ver com Deus, falando de um “deus” que se parece mais com uma divindade pagã do que com o Deus da Bíblia.

Outra coisa, a palavra vão no texto bíblico também pode ser lida como vazio. Usar o nome de Deus no vazio, quando não há menor sentido, como se não fizesse sentido, como se não falássemos de alguém que nos suscita reverência e respeito simplesmente por quem Ele é, enfim, como se ao falar de Deus desconsiderássemos que falamos daquele que criou a existência.

Se quisermos viajar mais um pouco neste assunto, com certeza não nos faltará terreno. Contudo, encerro por aqui a conversa finalizando com a interpretação que o pastor Ed René Kivitz deu ao terceiro mandamento:

Não tomarás o nome do teu Deus em vão.
Não dissociarás o nome da pessoa de Deus.
Não colocarás palavras na boca de Deus.
Não te esconderás atrás do nome de Deus.
Não usarás o nome de Deus para te justificares.
Não te relacionarás com uma idéia a respeito de Deus, senão com o próprio Deus.
Não semearás dúvidas respeito do caráter e da identidade de Deus.

11.4.09

Amarás tua sogra...

“Orai pelas vossas sogras, e abençoai as que vos perseguem”.

“Não resistam as sogras; antes, se elas pedirem a capa, dêem também as túnicas; e se obrigarem a dormir na casa delas uma noite, durmam logo duas”

Caio Fábio, em A encantadora de sogras.

8.4.09

Páscoa...

Gosto muito da comemoração da Páscoa. Talvez seja a celebração da tradição cristã menos afetada pelo mercado consumista. De qualquer modo, tenho aprendido a desenvolver minha espiritualidade a despeito dos significados já fixados pela nossa cultura. Os significados dados às coisas referentes a Deus!

Meu sentimento é um só: pesar! Sinto-me pesaroso por ter de passar tal data distante das pessoas que mais amo. Minha namorada viajou, fora desincumbir-se de uma obrigação do movimento de estudantes cristãos do qual faz parte, meus familiares estão em casa, na minha terra – onde gostaria muito de estar.

Estar em Pouso Alegre, minha cidade lá no sul de Minas, este era meu desejo; e quem sabe participar das festividades pascais com meus queridos irmãos da 1º Igreja Presbiteriana, e reunir-me também com diversos outros chegados que lá vivem...

Não vai ter jeito, passarei sozinho aqui no Mato Grosso, descansando da rotina e tentando estudar um pouco.

Sei que pelo amor imensurável daquele que se entregou por nós na cruz, estarei ainda assim perto de todos os que amo, desfrutando da comunhão maravilhosa ministrada pelo Espírito Santo.

A todos que aqui passam de vez em quando para ler meus sôfregos textos, os quais eu bem sei quem são (nem todos): FELIZ PÁSCOA!

Que vocês saibam aproveitar o amor e a graça dispensados por Jesus!

Abraços fraternos.

6.4.09

Lia Luft e Rubem Alves na privada

Hoje foi a vez da Lia Luft, mas há algumas semanas atrás o Rubem Alves é que esteve por lá. Espero que a Lia não se zangue, mas é que adoro ler enquanto estou na privada, não há nada mais relaxante, nada que me alivie tanto o estresse da vida agitada.

Vez e outra faço assim, mesmo no horário do serviço – nada que vá comprometer meu trabalho.

A coisa é bem lógica: esteja eu fazendo o que for, surgindo estas necessidades prementes, que farei senão ir satisfazê-las? Ora, e já que terei de gastar parte de meu tempo sentando em um vaso de cerâmica, por que não fazê-lo de forma mais aprazível possível?

Aliás, o próprio ato de evacuar carrega em si mesmo uma dose de prazer... (Àqueles que não pensam assim, meus pêsames, seu desprazer lhes acompanhará por toda a vida).

Retomando, a Lia não sei o que pensa, mas o Rubem Alves sei que não se importa nem um pouco de eu deixá-lo lá na pia do banheiro, ou mesmo em cima da privada (em cima da tampa da privada, quero dizer). Ele mesmo defendeu o que chamou de função pedagógica das privadas. Exaltando o caráter de prazer solitário e privado que está encerrado no nome “privada”; nome que hoje tem sido tomado apenas num sentido pejorativo. Caso ele saiba o que tenho feito com os livros dele, certamente daria uma risada e entenderia que apenas estou seguindo suas dicas.

Posso dizer que é uma excelente prática. Terapêutica, se formos pensar a fundo. E sugiro que todos experimentem. Ainda que seja apenas para um teste. Não vão se arrepender!

E mais: levem poemas, crônicas e contos. São os mais rápidos e a gente pode lê-los em uma sentada. Livros complexos não são recomendáveis. Geralmente não são conclusivos os seus capítulos, de forma que você terá terminado sua “obra” e não encerrado ainda a leitura. E cá pra nós: coisa chata é ter que voltar ao cotidiano da vida tendo em mente uma pendência literária, um capítulo mal-entendido, um trecho de leitura inacabada...

Não vou mais me delongar, a dica era apenas essa. Não quero correr o risco de você me levar à privada e não conseguir terminar a leitura, isso seria terrível (pra você, claro).

Apenas um pedido, se não gostar do texto (e caso o tenha imprimido para ler lá), não utilize o papel sulfite de sua impressão para limpar você sabe o quê. Isso também seria muito ruim, totalmente não recomendável. Escolha sempre papeis mais delicados para tal serviço. Ele, você sabe quem, agradecerá!

Boa leitura!

30.3.09

Ele, Jesus

Um exímio psicólogo, um grande líder motivador, um grande mestre de moral e ética, esses e muitos outros adjetivos têm sido conferidos a Jesus, o carpinteiro pobre de Nazaré. Há sempre um grande fuzuê em torno de sua imagem, e o mundo literário tem se valido dela para lucrar com livros que tratam de suas mais distintas características.

Penso que o mercado editorial nunca se viu isento de alguma obra que abordasse a pessoa de Cristo. Exaltando-o, ou rechaçando suas palavras, não importa. Jesus tem sempre uma e outra obra dedicada a si.

Isso tudo me faz lembrar do que C.S. Lewis disse em um de seus escritos. Era mais ou menos isso: ou reconhecemos Jesus como quem ele diz que é, ou então temos três outras opções acerca de sua pessoa: em não sendo quem ele afirmou ser, certamente ele foi então um megalomaníaco, ou um lunático, ou, por último, o próprio demônio.

Ora, isso é o que me faz gostar tanto do C.S. Lewis, a perspicácia de seu pensamento. E ele é muito objetivo, sem deixar de ser profundo. Não é difícil de resolver tal problema. Basta que leiamos o Evangelho e revisitemos as palavras de Jesus. Qual ser humano saudável – não sendo o Filho de Deus, o Cristo prometido – afirmaria coisas tais como: “Eu sou um com o Pai”, “Ninguém vem ao Pai senão por mim”, aparentemente megalomaníaco. Ou mesmo: “Quem não comer a minha carne nem beber do meu sangue não tem parte comigo”, uma maluquice total, por isso um lunático. E tem também o aspecto dos milagres, um ser humano normal teria poder para tantos e tão gloriosos? Seria ele o demônio?

Eu não consigo aceitar nenhuma destas três alternativas. Apenas creio que Jesus era o Messias prometido, o redentor, o próprio Filho de Deus, o Deus Santo que decidiu encarnar-se, fazer-se pobre, pequeno e limitado por nossa causa, e que morreu por nós a fim de que tivéssemos acesso ao seu Reino.

Sim, ele é mesmo o maior psicólogo que já existiu, o maior gestor de pessoas, um grande mestre que nos ensinou a viver como gente, o maior de todos os rabinos... Mas não somente isso!

Ele é o Ungido de Deus, o próprio Deus! Assim eu penso. E você, o que pensa a respeito?

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Outras leituras:

Seguir Jesus
O Deus sofredor

23.3.09

Superficialidade

A superficialidade, deparo-me com ela cotidianamente. E lhes digo, ela reside na incapacidade de enxergar com a alma. Ora, é bem isso. Acredite, não há outra fonte de onde se origine tal mal. Nossa sociedade tecnológica entende bem de máquinas, de aparelhos cibernéticos, de computadores e virtualidade. Mas não sabe quase nada da alma humana... mal reconhece sua existência.

É por isso que vejo (você também vê?) um sem-número de pessoas clamando por afeto e cura interior, sem nunca encontrar. É por isso que filhos gritam silenciosamente diante de seus pais e não são ouvidos. Um mundo de doentes que ninguém enxerga. Uma majestosa sinfonia de gritos silenciosos permeia nosso viver.

Podem ser ouvidos pela observação dos gestos, das ações. Doenças que podem ser diagnosticadas pela sua própria somatização, manifestadas nas mais diversas formas de transtornos psíquicos e causadoras das depressões constantes, e também de males físicos inexplicáveis.

Perdeu-se o senso das coisas essenciais, sofre-se sem entender o porquê. Um mundo que rejeita a sabedoria e desdenha do conselho dos sábios.

Por isso dançam, enquanto seu coração se enluta... por isso cantam, desafinados para as canções da vida... por isso se beijam, se pegam, ficam, transam, sem nada provar de verdade. Visto que tal gosto não tem gosto. Visto que tudo deve ser repetido imensas vezes das formas mais intensas, com o maior número de pessoas possível a fim de que se satisfaça um desejo insaciável, que revela a ausência da capacidade de sentir prazer.

Esse é o nosso mundo... Um lugar tão doente que os sãos não são vistos de outra forma senão como leprosos...

Quem tem sabedoria e discernimento, que saiba ler e entender nosso tempo!

20.3.09

Casa de Deus (?)

Acabei de receber em meu e-mail uma daquelas reflexões que o Caio Fábio envia aos cadastrados em seu site. Nela havia, entre tantas perguntas, essa: Você realmente acredita que um prédio que leve o nome de “igreja” é a casa de Deus?

Gostaria de ouvir tal pergunta nos púlpitos das igrejas. Mas quem a fará? Os “pastores”, “os presbíteros”, os “apóstolos”, os empresários da fé?

Parece inofenciva (ou não) tal pergunta... mas a resposta que damos a ela molda nossa espiritualidade.

 

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